Eu rompi com o sol. Ele não consegue entender o que acontece aqui em baixo. Então me castiga, queimando ainda mais meu mundo artificial. Talvez ele esteja tentando me dizer que também não sabe porque é sol.
Hoje estou feliz. Porque as nuvens foram solidárias a mim. Porque já estava me causando asco sentir seus raios por toda a parte, na minha pele. Invadindo as sombras das nuvens amarradas no chão.
Como um irmão rebelde, ele vai voltar. Porque fora do meu mundo de plástico, as coisas não dependem de mim. Amanhã eu posso implorar às nuvens ou me esconder num grande guarda-sol. Fugindo para as sombras, como os pássaros de penagem preta. Fugindo do holofote em chamas para proteger minha solidão mofada.
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No meu invisível as flores existem. E são muitas elas, tão melancólicas com as de Rilke. Estão encurvando-se ao céu, inferiorizando-se. Abomino os girassóis que enamoram o sol e depois se deprimem quando ele os abandona. Também não me simpatizo com as circenses flores de hospital. Talvez ainda faça um jardim.
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Um aspirante a filósofo ria de Nietzsche. Um cristão se irritou com a morte de Deus. E eu não fui forte demais para deixar de odiá-los.
• O mal da humanidade é estar submerso à vida social e existir como uma (des) culpa de que tudo poderia ser pior. Porque se ser desencantado é ser um bárbaro, o aniquilamento do instante poético é regra.
Escrito por
gheirart
às
16h43
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