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A vida tem realmente algo a ensinar ou simplesmente não aceitamos nossa condição constitutiva de desordem? Fazemos sempre o movimento do rato que reconhece a ratoeira, mas se seduz pelo queijo. A vida é uma armadilha. A qualquer momento podemos ser destruídos pelas fatalidades ou pelos próprios monstros que construímos. Ignorar o cheiro que o queijo exala é também uma frustração, porque ele nos atrai. É como sentir saudades do que nunca tivemos. Chegar ao queijo é a morte e a morte, como o gozo, é a satisfação completa. A ratoeria e o queijo não sabem o que são, foram apenas colocados no nosso caminho de desordem. Estamos incessantemente tentando comer do queijo sem entrar na ratoeira. Assim, nomadizamos-nos do natural e extendemos a nossa permanência.

Mas para onde vamos levar todo este aprendizado? Será a vida social perpetuada na memória dos nossos vermes?

Depois de amontoadas nas cidades pelo deslumbre pueril dos modelos de vida, a população está com um tipo de síndrome olímpica. Foi dada a largada ao triatlo! Todos estão disputando o tempo todo e ao mesmo tempo, com o objetivo de se eleger um campeão: no trânsito, nas filas, nas ruas, nas roupas, nos transportes, nos restaurantes etc. Isso também contamina as relações afetivas, de trabalho e sexuais. E mesmo nunca ganhando prêmio algum, promove um tratamento de choque para forçar um reencantamento para tudo ter sentido no dia seguinte. Até o corpo, sem preparo, ficar seqüelado e ser lançado numa cama. Mas tudo continua igual por conta do revezamento. E a indústria farmacêutica se incumbe de nos botar de pé nesse eterno retorno do mesmo.

No mundo pós-moderno, somos forçados a exercer uma profissão por excelência. Os holdies são aqueles caras que auxiliam a banda antes dela subir ao palco. Testam fios, cabos etc. para ver se tudo soará perfeitamente. É impressionante a quantidade de fios com que somos obrigados a conviver. Nos postes, nos subsolos, dentro dos lugares, nos nossos ouvidos etc. Os fios e cabos são as veias da vida artificial. Porém, diferente de nós (apesar das máquinas terem peles que escondem os órgãos e dão aparência), só podem viver pelo cordão umbilical.

Escrito por gheirart às 12h04
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