Em mim, mora um sentimento de desassossego que permance todo o fim de tarde. Ele se apossa da minha alma e a razão o lança num canto qualquer, para que eu possa continuar a cumprir com todas as minhas obrigações. E por mais que receba visitas mais felizes no decorrer da minha existência, ele sempre se materializa em forma de cansaço, de mal-estar. Uma preocupação constante que permanece no espaço entre as ações. Tristeza concretizada, como uma marca de expressão que inevitavelmente se transformará em ruga. Assim e aos poucos, meu corpo se encurva, como os membros de um velho que desejam acariciar o chão, aguardando o alívio da morte. Nessa lógica, a vida social é uma anestesia, um sossega leão da complexidade.
O consumo transformou tudo num self service coletivo. Não bastasse a obesidade física pós-moderna, temos outros tipos de obesidade: visual, auditiva etc. A música, por exemplo, depois de disponibilizada pela Internet, descontextualizou-se de uma forma que muitos sujeitos transformaram-se em frankestein auditivos. A geração self service adora o adjetivo "eclético". Misturam, então, em seus pratos coisas que não se combinam, que são contraditórias. Digerem um pouco de tudo para apenas dizer que conhecem de tudo superficialmente. Ocupam a alma de uma gordura hidrogenada imaterial.
BILHETE À PROFESSORA
Eu sei q boa parte das pessoas me rotulam de arrogante, pelo simples fato de não me aglutinar com quem não admiro. quero prezar isso, quero ser honesto com os meus sentimentos. É muito mais fácil ver arrogância nos outros quando, na verdade, você é incapaz de compreender o que eles têm a dizer. eu nunca escondi isso de ninguém: eu sou uma farsa. sou, falo e penso não por conta própria. estou explodindo em chamas, em febre alta. sou uma alma doente que arde enquanto todos dormem, compram carro ou fodem. Para mim, não vale a pena fazer revolução para salvar o mundo! É preciso explodi-lo inteiro e salvar a meia dúzia que importa.
Sonhei que contemplava um bicho de goiaba. Observava a sua fragilidade rastejante. Será que para as coisas superiores a nós também não passamos de vermes?