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CONCERTO TRIÁDICO: DÚVIDAS, PERGUNTAS E DESASSOSSEGO
(leia de baixo para cima: ato 1, 2, 3 e poslúdio)


POSLÚDIO:

 

DÚVIDAS

Será que o mundo precisa dos fracos

para dar respostas aos fortes?

Levanto-me e invento alguma resposta

Que me conduza ao comum

Já não me vejo mais no espelho

Algumas lembranças felizes surgem

Num momento imortalizado por uma fotografia

Que se juntarão aos outros momentos

E se separarão de mim

Para alguém, um dia, se lembrar

E sentir algo a partir do seu mundo

E novamente estarei vivo[1]

 

PERGUNTAS

Porque não nasci misterioso?

Porque cresci sem companhia?

Quem me mandou desvencilhar as portas do meu próprio orgulho?

E quem saiu para viver por mim quando eu dormia ou adoecia?

A gota viva do mercúrio corre para baixo ou para sempre? [2]

 

DESASSOSEGO
Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei. No meu sangue corre até a memória das paisagens futuras, e a angústia do que terei que ver de novo é a monotonia antecipada de mim.[3]



[1] GHEIRART, op. cit. p. 12

[2] NERUDA, op. cit. p. 125

[3] PESSOA, op. cit. p. 366



Escrito por gheirart às 11h21
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