A cidade toda dormia o seu sono obrigatório e contado. E, nós, estávamos lá antes da semana começar, hipnotizados pelas cores e formas, pelos contra-tempos, pela dissonância, pela voz desesperada de Thom Yorke e por sua poesia alucinada. Veja só o poder da arte, fazendo o povo bronzeado louvar o desencanto, mostrando que o Sol pode aquecer-nos tudo, menos o permanente frio da alma. Ah, as barreiras das lágrimas se partiram! E não apenas derreteu o "seu nome como gelo no meu coração" (como diria Robert Smith), mas fez-nos render ao desassossego! Ajoelhamos-nos, em pleno domingo, para pedir socorro, gritando em direção ao nosso universo imaginado. Será que alguém pôde nos ouvir com toda aquela potência? Será que algum planeta vibrou nos graves ou uma pequena estrela refletiu aquelas luzes? Seria, então, toda aquela sonoridade mais eficaz que a primitiva fumaça? Por favor, não sejam indiferentes a nós. Ajudem-nos! Já nos bastam os nossos próprios semelhantes que empurram-nos em direção aos bares e que permanecem intactos a tudo à sua frente, no desnível da catarse. A grande esperança seriam as palmas que, talvez, teriam atinado muitas outras existências, deixando-as num estado de alerta sem sentido. Ainda não recebemos nenhum sinal, mas a esperança resolveu passar uma temporada em mim.
Escrito por
gheirart
às
09h49
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