Eu quis te dar uma música de presente. Minha pobre e última esperança de te fazer enxergar como você estava sufocando um sentimento tão nobre. Que tal adiar essa falsa alegria do seu sorriso sem vida, confirmada no seu repúdio pelo animal que contempla a existência do calor! Você se rendeu ao movimento das águas ou está sendo conduzido na alma? Eu fiquei à margem, porque tentei segurar sua mão. Se não a soltasse, cairia na correnteza – confesso não saber nadar, como também confesso não saber andar de bicicleta. Mas posso correr mais rápido que elas no fechar dos olhos e ir em lugares que você jamais irá. Estou assistindo você sumir água adentro, afogando no deslumbre da razão. Será que existe uma queda de água lá na frente e você se despedaçará nas pedras do hiper-real? O pulsar da vida te causa estranheza! Ah, aquela foi a minha última canção para você.
Escrito por
gheirart
às
21h08
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|