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Na semana passada, a coluna do Millôr, da Veja, problematizava a velha (e clichê) frase “uma imagem vale mais que mil palavras”. “Pois como você diria isso sem palavras?”, ele provocava. Como não aproximar da antiga filosofia da linguagem, que aponta a palavra como fruto sensível do pensamento? Na nossa realidade equivocada, em que se adjetiva (fora do contexto) fulano de “moderno” ou de “vanguarda” etc., isso, de certa forma, não faz mais sentido. A falta de questionamento dá a palavra a condição de mera reprodução ou de associação barata, de achatamento analógico, bi-nível ou 3d. De quantas interpretações se constitui uma imagem?

Na época da preguiça tecnológica, uma imagem serve para “economizar mil palavras”, que também culmina na interpretação mediana, medíocre. E quantos se alimentam de imagens diárias na sua obesidade mórbida visual? Arrastam uma alma lenta-ofegante-preguiçosa no decorrer da existência.

No digital, o real fica no bastidor. Os softwares amenizam a mão (quase em decomposição) de Hebe Camargo ou realçam o roxo dos olhos de Rihanna (depois de apanhar do namorado). Uma imagem digital não vale um tostão furado, não serve de prova alguma. A sua distância quase onírica é a garantia e segurança dos fracassados – desses sujeitos “modernos” que possuem tantas qualificações por conta própria (que retiraria um Leonardo da Vinci de seu posto) e que aí se masturbam - sabem falar sobre tantas coisas, mas só podem sobreviver no mundo editável dos retoques. Taí a proliferação e o destaque dos gremlins pós-modernos, sujeitos com uma pseudo-notoriedade, mas, na prática, já se esqueceram até de como se escreve as palavras que falam.



Escrito por gheirart às 13h00
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