.:: Histórico ::.

06/12/2009 a 12/12/2009
29/11/2009 a 05/12/2009
22/11/2009 a 28/11/2009
15/11/2009 a 21/11/2009
08/11/2009 a 14/11/2009
01/11/2009 a 07/11/2009
25/10/2009 a 31/10/2009
18/10/2009 a 24/10/2009
11/10/2009 a 17/10/2009
04/10/2009 a 10/10/2009
27/09/2009 a 03/10/2009
20/09/2009 a 26/09/2009
13/09/2009 a 19/09/2009
06/09/2009 a 12/09/2009
30/08/2009 a 05/09/2009
23/08/2009 a 29/08/2009
16/08/2009 a 22/08/2009
09/08/2009 a 15/08/2009
02/08/2009 a 08/08/2009
26/07/2009 a 01/08/2009
19/07/2009 a 25/07/2009
12/07/2009 a 18/07/2009
05/07/2009 a 11/07/2009
28/06/2009 a 04/07/2009
14/06/2009 a 20/06/2009
31/05/2009 a 06/06/2009
24/05/2009 a 30/05/2009
17/05/2009 a 23/05/2009
10/05/2009 a 16/05/2009
19/04/2009 a 25/04/2009
05/04/2009 a 11/04/2009
22/03/2009 a 28/03/2009
15/03/2009 a 21/03/2009
01/03/2009 a 07/03/2009
15/02/2009 a 21/02/2009
25/01/2009 a 31/01/2009
07/12/2008 a 13/12/2008
30/11/2008 a 06/12/2008
12/10/2008 a 18/10/2008
05/10/2008 a 11/10/2008
21/09/2008 a 27/09/2008
07/09/2008 a 13/09/2008
31/08/2008 a 06/09/2008
24/08/2008 a 30/08/2008
17/08/2008 a 23/08/2008
10/08/2008 a 16/08/2008


.:: Outros sites ::.

UOL - O melhor conteúdo
BOL - E-mail grátis

.:: Votação ::.

Dê uma nota para meu blog

.:: Indicação ::.

Clique aqui para me indicar

 


Na vida ontológica, somos “coisas” ambivalentes. Fomos jogados na existência, rejeitados de consciência e negados por excelência. Na vida social, somos homens com o poder da transgressão. Somos felizes por exigência, ativos por concorrência e fracassados por conseqüência.

O consumo nos permitiu a “neo-celebração da morte”. Depois das funeral homes e da cobrança de ingressos para ver corpo de celebridade, será que em breve teremos, em farmácias, pílulas para amenizar o sentimento de perda? Então, os velórios se converterão em verdadeiras festas de funeral.


A linguagem de vídeo-clipe vem concretizando transformações desde a implementação do projeto digital. Com a extinção dos ícones, nos moldes clássicos da indústria cultural, e o interesse invasivo pela vida alheia, o que os grupos fazem são curta-metragens. Lembra da perda da audição que Adorno nos adiantava décadas atrás? A conseqüência do massacre do acústico nos custou um achatamento auditivo. Ainda nos tempos de decadência da indústria fonográfica e no momento em que a música é apenas trilha vulgar da existência excessiva, as bandas, num esforço midiático e estratégico, viraram protagonistas da própria produção. Salvas as diferenças artísticas, é como se Van Gogh quisesse cantar, em versos e melodia, os seus girassóis. Esse mesmo silêncio da fé que permeia a arte foi renegado, em grande escala, por homens já cegos, mudos e surdos de espírito. As camadas da existência foram achatadas como numa imagem.



Escrito por gheirart às 14h17
[   ] [ envie esta mensagem ]




Abstraio com tranquilidade boa parte das coisas que me acontece, na segurança da minha atemporal (e autônoma) caixa preta que tudo armazena, como incontáveis e desordenados rolos de fitas invisíveis. Em contrapartida, outras coisas se fixam de tal forma que na sua oscilação se revela num sentimento acumulado. Devo confessar que o tédio atravessou toda a minha finita existência e, as vezes, sinto-o de uma forma tão violenta que me igualo à todas as coisas que existem – e, como numa bola de neve, despenco no chão numa angústia coletiva. Têm também aqueles pensamentos desconfigurados (pós-modernos?) que explodem como fogos de artifício, que parecem celebrar a desgraça. Oh, porque demoram tanto para terminar? Outras incovenientes lembranças me vem à cabeça, como aquela mesma casa velha que se repete nos sonhos, ressussitanto arrependimentos que, embora aniquilados no achatamento do passado, estão guardados em outras caixas. Algumas imagens também passam uma longa temporada em mim e, aos poucos, vão sendo enxotadas para a boca da abstração – as tantas insignificâncias perdidas também roubam-me a atenção. Paro no meio da corda estendida de Zaratustra e tenho consciência de todo o percurso. Nasci morto nos tantos mistérios dos seus pontos extremos. A morte humanizada é aposta barata da vida, que se incumbiu de sucumbir as provas no decompor das fitas. Quisera termos o cérebro blindado e no pós-morte encontrar pistas que superariam as ciências, a história, a filosofia etc. E nem mencionei aqui a imaginação, que já encontrou uma caixa preta num matagal, dentro de um corpo apodrecido. Revelaria-nos mais que assassinos? Concentrei-me num relâmpago e o pensamento se quebrou em pedaços. Vai chover!



Escrito por gheirart às 11h33
[   ] [ envie esta mensagem ]




Cavei o fundo do poço para ir mais além e um jato de água inundou-me completamente. No princípio, belas paisagens se formaram e até mesmo um vaidoso arco-íris apareceu no meu pálido horizonte. Mas mergulhei até onde as águas comprimiram o meu corpo e o meu cérebro se fez lua. Voltei à tona, pela primeira vez, e não pude avistar nada. Refugiei-me num castelo à prova d'água e vivi uma vida submarina, segurando a respiração e tentanto encontrar formas de dar vasão às águas. Baldes ou vasilhas, ciências ou filosofia, nada fizeram para que eu dominasse o caos que se fez no alagamento da alma. E não parei de perfurar o poço até que um dilúvio ao contrário jorrou do chão! Regi, num delicioso pavor, um balé de águas e, ao mesmo tempo, construí comportas e calhas. Na última vez que voltei à tona, encontrei uma bóia de plástico. Nela dormi até que as coisas que me compõe me forçaram o existir, como numa cortina que se abriu. Acordei quase em terra firme e a água continuava a ser jorrada em grandes chafarizes. Um mar de lágrimas deve ter derramado enquanto eu dormia e a minha estrutura não foi apodrecida. Sobrevivi apenas com um pequeno desabamento de alma.



Escrito por gheirart às 10h03
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]