Fui transportado para dentro da minha caverna. Caminhei por horas a fio e em total silêncio. Não procurei respostas genealógicas ou conexões para uma regressão. Deixei meus pensamentos planarem no oxigênio, para flagrar e desmascarar o que, aos olhos, é somente vazio. Está dentro ou fora? Um pavor tomou-me por completo e meu corpo tremeu como numa convulsão, como num aborto para a realidade. Continuei mesmo desconfigurado e em meio transe, fingindo o temor em plena fronteira. Permaneci boiando, na insistência imaginária do mundo sem a existência humana. Fui além, imaginei, em detalhes, o infinito o qual cairíamos na explosão da Terra. Voltei apático e esfarrapado, como um soldado que perdeu todos os companheiros e a própria guerra. Apoie-me nas incertezas e fui parido num canto da sala, com os olhos esbugalhados. Fui cravado pela experiência, como naquele pesadelo em que sua sensação nos retorna ao longo dos dias, e permaneço num exaustivo estado de alerta.
Escrito por
gheirart
às
21h20
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