Marquei a data da minha ressurreição: dia 1 de abril. Vou retomar à vida com data marcada, num suicídio ao inverso, sem cartas de despedida e sem dor de cérebro. Vou também desamarrar a corda, recuperar o apoio com a ponta da agulha e deixar o disco tocar. A velha armadura, que é legítima ampulheta do tempo, indica-me a duração como aquela montanha castigada pelo tempo – isentando-se apenas dos contratempos dos incontáveis riscos da fragilidade. Estamos vivendo e morrendo ao mesmo tempo, alimentando da infinitesimal parte que os separa – o que nos garante os prazeres e as esperanças. É inveja ou solidariedade que sentimos de tudo que existe sem transgredir? Num salto, vou sair do estado de coma. E, de imediato, limparei-me num longo banho por dentro e por fora. Vestirei aquela camisa xadrez que tanto ilumina-me o rosto e arrumarei meus cabelos daquela forma que, de dentro, parece ser a mais bonita. Espera por mim, por favor.
Escrito por
gheirart
às
10h27
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