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Num momento de hiperconexões, tenho vivenciado uma sequência de "confirmações"! Ironizo aqui com a rima, para ficar subentendido que, na pós-modernidade, a poesia parece ser nosso único e verdadeiro refúgio – lembrem-se, a natureza está a ruir e o capitalismo tardio invadiu-nos a mônada. Mas não são confirmações medíocres que falo (devo assumir que, por conta da prática interpretação, lanço-as numa escala), porém, no fluxo do complexo, muitas vezes deixamos de ver o óbvio. Não existe uma linha que os separa e, em alguma parte das nuances, eles podem, no seus desfoques, nos confundir. Nessa lógica, espanto ou surpresa ou fracasso ou burrice etc. são sentimentos ou reações que também se sobrepõem na velha via de mão dupla – incrementada ainda com suas incontáveis pistas, lombadas, sinais, viadutos, subsolos etc., rumo ao caos da complexidade. Quantas histórias ocorreram sob a indiferença do mesmo asfalto?
Apreender aos cruzamentos do pensamento é cair nos modelos (Kantiano? Behaviorista? Darwinista? Marxista? Lacaniano? Baudrillariano? Qual?) e também confirmar as possibilidades das contradições e suas camadas como elementos da eterna incerteza a superar. Somos, então, "obviamente complexos" por petulância de partícula? Esses ligamentos dão-nos respostas ou ampliam-nos as peguntas? As coisas se confirmam porque se revelam ou se deixam flagrar? Servem-nos de impulso para pensamento, para a mais remota verdade. Outras ecoam para além das convicções e convertem-se em grandes e impalpáveis fantasmas. Tudo acende junto, como árvores com fios ligados na tomada que confirmam o natal de sempre. As combinações dessas conexões sempre revelam algo maior para aqueles que possuem antena em alma.

Por fim, não julguem-me como pessimista – embora tenha a liberdade de o ser, quando sou assumidamente hiper-realista. Também não façam leituras reducionistas para a minha narrativa que se contorce em questionamentos e em febre de alma, mas ainda meros aforismos.



Escrito por gheirart às 14h52
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Já foi dito que os acontecimentos nos perseguem apesar das nossas lembranças, especialmente quando outras caixas pretas também os registraram. Porém, muitas vezes, a impotência lança-nos ao chão, numa concentração máxima e falida para o que está apagado. E o roteiros dos testemunhos, da história, não nos convence por completo. Apenas nos são compreensíveis. Esses picos, ao mesmo tempo que nos agiliza a consciência histórica também nos achata pequenos pedaços, como aquela fita magnética emendada, que tira o sentido de determinadas partes, a compreensão de uma suposta totalidade. Eu tenho o dom do perdão, mas, as vezes, temo conhecer os motivos das coisas e viver num equilíbrio animoso, conduzido ao centro do tédio! Só encontrei prazer no vai e vem da corda estendida depois de desvendar que todos que passaram por ela me foderam de algum modo. Embate ou combustível? Nos casos mais vulgares, tomaram minha "pobre" consciência com sua vidas idiotas, com seus sorrisos de animais domésticos nas vitrines da pet shop. Não os julgo culpados, porque o psicopata, o pedófilo e toda a chamada escória social têm absolvição garantida nos motivos. Talvez entendiam-se com o lento suicídio?
Nunca fui totalmente enganado, mas em algum momento aceitei a encenação para não ser lançado ao limbo – confesso que perdi a mágica do teatro quando me concentrei no pé direito acima do palco!
Muitos viram tudo, o porquê da minha grotesca reprodução, mas fizeram vistas grossas ou estavam dentro do corpo confortável de John Malkovich. Subestimaram os meus nobres sentimentos para vomitar tantas histórias que grudaram ao meu imaginário, como sanguessugas. Sim, os acontecimentos provaram que algumas coisas aconteceram, apesar das minhas frágeis lembranças. Arrancar o parasita foi doloroso porque seus ferrões inflamaram em carne viva, na última tentativa de ferir. Eu nunca tive o tanque cheio de sangue!
Vivi folheando álbuns de fotografias vulgares como colagens e denominei tudo isso de real. Tentei voltar ao começo, mas pulei páginas coladas na ansiedade e tomei como verdade o que também não estava mais lá. Não, não posso odiar a todos que me fizeram mal, porque também não escreveram o enredo. Mas eu posso enxergar a fraqueza, ainda que na distância.
Ah, encontrei uma caixinha de música e ela refratou aquele velho que beijava a boca de ingênuas crianças. Alguém pode dar ré ao instante que também bóia no mundo aplicado? Ele não trouxe as balas que prometeu. Vinguei-me dos seus ossos, implorando que o sol não os aquecesse. Mas para onde escorrem o sangue e as lágrimas da vingança? E são tantos corpos a enterrar que a velha pá precisa de reparos. O homem adulto convive com o luto, mas fraqueja nas esperanças dos corpos não encontrados ou não reconhecidos, dos sepultamentos a fazer. A música vaza da caixinha e mais um corpo é reconhecido na multidão. Uma outra luz acende e o corpo se curva num vagaroso afago. Processa vidas como os pensamentos.
Descansem em paz! Descansem na migalha covarde do perdão. Sintam-se também absolvidos por aqueles que desistiram de guerrear e encontraram conforto no tédio da paz. Desejam a impossível tranquilidade do que não pode pensar, mas também sonham com a justiça dos massacrados.
E, apesar das minhas reconstituições, aquele acontecimento permaneceu apagado! Trazê-lo de volta seria constatar, mais uma vez, a fraqueza verdadeira da humanidade unida?
Um minuto de solidão, por favor. Respeite o insano que vaga pela estrada, que caminha apesar das lembranças.



Escrito por gheirart às 09h49
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