Independente da duração, tudo vem a se findar. O esgotamento se confirma a cada instante que transporta o que permanece. É um só e mesmo instante que carrega toda a humanidade? O que desaparece salta na horizontalidade ou na verticalidade do tempo? Grande parte do que é vivo dura como efêmeros (ou eternos) Ephemerides, porque não “alcançam” a visibilidade do vir a ser. Mas não vir a ser é mesmo fracassar? Porque, nesta condição, viver seria uma vitória. E, então, o que seria desaparecer por fatalidade ou desistir do percurso? Ontem, li que uma menina morreu porque se trancou no microondas enquanto brincava de esconde-esconde. Qual a diferença entre uma pilha comum e outra com alcalina, se durar é permanecer por um tempo particular? Agregar valor é objetualizar (pequeno-médio-grande, por exemplo), é resquício da forma exata a qual fomos condicionados nas ciências duras. Durar é cumprir a tragetória do cometa que atravessa o céu apagando-se. Apesar da ordem que nos assegura, incontáveis fatores podem desviar ou abreviar os percursos. Mas que garantias temos para além disso? A minha dúvida, que é axioma do meu concreto existir, sequer me permite duvidar de que sou! “Será que algum outro animal sentirá nossa falta como sentimos dos dinossauros e das incontáveis espécies num universo a se extinguir?”, penso. Numa leitura fragmentada e pormenorizada da duração, assim também é para o que chamamos de vida social. Quantas coisas nos são abortadas ou poupadas do garantido fim? E permanecemos num constante enterro coletivo de fracassos, com o trauma compatível a de uma mãe que preparou-se para a chegada do bebê que não veio. Uns ficam até sequelados em corpo vivo, desmascarando de vez qualquer possibilidade de eugenia. Quem são os vencedores ou perdedores fora dessa cultura mercantilizada? Não estaria na solidão da duração o equilíbrio do ser?
Escrito por
gheirart
às
10h55
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