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Denominamos de infinito o que nos é inalcançável e à frente do máximo que conseguimos chegar – conotação essa espacial, já que o tempo começa e termina para todos.
O que é infinito para o ser que vive na lua ou para a bactéria que vive num intestino?
As gotas que formam os oceanos são separadas por algum espaço? Todas elas juntas exibem um particular infinito ao homem que busca a linha que divide céu e mar.
Ah, a liberdade não nos dá acesso a tudo, porque estamos condicionados em frágeis e fortes corpos ou coisas. A proporcionalidade do maior e do menor corpo dá ao infinito dimensões outras.
Um macaco que pode correr na floresta na sua infinita mobilidade é mais livre que a mente de uma criança trancafiada num infinito mundo de imagens?
Sempre que avançamos, reduzimos o infinito e ele se renova na sua infinidade. É como luzes acesas nas trevas que revela a sucessão do infinito desconhecido. Pisar no fundo do mar causa-me uma remota sensação de um gigante que esmaga a cidade na mesma ingenuidade que aquela criança aniquila pobres formigas. Não é sem essa mesma culpa que a natureza se devora ou que o pequeno macaco provoca o feroz leão jogando frutas podres em sua juba? A baleia ficou encalhada na praia porque dilatou desenfreadamente o espaço no exercício da sua liberdade. O infinito foi a sua própria destruição. Não pode fugir com nadadeiras artificiais e perdeu sua permanência.
Mas nós não nos sentimos menos frágeis quando assistimos o infinito de um oceano da janela do avião? Se ele cumprir seu percurso, a desordem será apenas uma possibilidade paralela. Não seria um astronauta um suicida em potencial? E da mesma forma as gêmeas de Makhmalbaf seres covardes? Tudo parece estar na frente, como o futuro, mas o tempo não se pode voltar. O filho pródigo retornou a casa do pai, mas encontrou apenas a casa e o amor. O passado foi escaneado pelo cérebro. Quando trocamos de lugar com uma estrela, não conseguimos mais nos enxergar. Religamos-nos, então, com a existência.



Escrito por gheirart às 09h18
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